São muitas as vozes que ao longo dos anos têm defendido que a CPLP deveria ter um papel mais atuante e uma presença mais assídua na vida dos respetivos Estados Membros!

Nos dias 17 e 18 realizou-se na Ilha do Sal, em Cabo Verde, a XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP.

Desde a sua fundação que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa tem merecido por parte dos respetivos Estados Membros um profundo empenho e uma atenção muito particular.

Ao interpretarmos as ações que estiveram na génese da sua criação em 1996, percebemos facilmente que os Estados Fundadores – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe – estavam imbuídos do mesmo espirito e da mesma vontade e que a única razão para Timor Leste se ter juntado somente seis anos mais tarde, em 2002, se deveu ao facto de só nessa altura ter alcançado a independência. Mais recentemente, em 2014, tivemos a adesão de pleno direito da Guiné Equatorial que foi precedida de algumas polémicas e desentendimentos entre os Estados Membros, mas acabou por merecer a aprovação geral.

Atualmente a CPLP conta com vários Observadores Associados – a Geórgia, a Hungria, o Japão, a República Checa, a República Eslovaca, a República da Maurícia, a República da Namíbia, a República do Senegal, a República da Turquia e o Uruguai.

Para além dos diferentes Estados, a Comunidade sempre entendeu dar voz à Sociedade Civil, pelo que conta com dezenas de Observadores Consultivos que espelham a diversidade e a pluralidade de organizações que vivam promover, difundir e consolidar o desenvolvimento da Comunidade!

No entanto, são muitas as vozes que ao longo dos anos têm defendido que a CPLP deveria ter um papel mais atuante e uma presença mais assídua na vida dos respetivos Estados Membros!

Há quem defenda que muito há ainda por fazer no âmbito da educação e da investigação, bem como, da livre circulação de pessoas, bens e capitais. Para muitos a não consolidação destas áreas através de Programas eficazes tornará, a breve trecho, a CPLP numa Organização de Cimeiras e de Reuniões Bilaterais.

Há quem olhe para o modelo da União Europeia e da CEDEAO e anseie por algo parecido ou semelhante.

Razão pela qual, a XII Conferência tenha sido planeada e organizada com tanto cuidado por todos os Estados Membros. Para Cabo Verde que assume a Presidência e para Portugal que irá, pela primeira vez na história da Comunidade, assumir o Secretariado Executivo esta foi a Cimeira das Cimeiras.

Estou convicta que estamos perante um novo tempo em que todas e todos assumimos o lema: Somos Todos CPLP!

Acredito que se juntarmos as necessidades reais dos Países, a vontade inequívoca dos governantes e a ambição dos mais de 230 milhões de cidadãs e dos cidadãos conseguiremos alcançar todas as metas definidas aquando da fundação da CPLP e tornar a Comunidade numa organização competitiva, robusta e com futuro!

Nos últimos meses tivemos vários momentos em que a força da CPLP se vez ouvir e sentir. O momento mais icónico foi a eleição de António Guterres para Secretário Geral da ONU e o mais recente foi a eleição de António Vitorino para diretor-geral da Organização Internacional das Migrações!

Somos Todos CPLP!

Administradora do ISG Instituto Superior de Gestão e do Grupo Ensinus

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Artigo publicado a 18/07/2018 no Jornal de Negócios